Bate Daniela, bate!


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Foto: DivulgaçãoDaniela show.jpg

Estou adorando essa nova fase panelaço da DANIELA MERCURY.

Com o show “Balé Mulato”, que está em turnê, ela resgata a vibração natural que sempre nos seduziu. Nada contra a veia eletrônica de seus últimos trabalhos; experimentar é preciso. Mas, entre a carrapeta do XRS e o atabaque do Carlinhos Brownâ

Como é bom ver Daniela balançar o coreto com seu borogodó tipicamente baiano. E olha que no Canecão, em março, ela entrou meio tímida - logo quem. Cheguei a achar que não fosse emplacar. Mordi a língua: devia ser só nervosismo da estréia - os bambas também têm disso. Bastou o tempo de um esquenta pra entidade baixar nela, tomar conta do terreiro e incendiar a caboclada.

Arrepiou com “Meu Pai Oxalá”, “Aquarela do Brasil” e “Mambê Dandá”, jogou capoeira (com direito a estrela e ginga de mestre), saudou o carnaval carioca e consagrou o afro, tudo na maior elegância. O melhor de tudo: usou e abusou da percussão. Até os bailarinos entraram na roda, com saias-bacias, batendo panelas, tampas, baldes. Ela, uma gostosura só, regendo aquela explosiva sinfonia la Stomp - com a vantagem de que com axé ninguém pode, né? Espetáculo, essa Daniela Mercury versão 2006.

E com a mesma intensidade com que brilha na pajelança musical, ela anda soltando a voz firme com outro figurino, de cidadã engajada. Lá mesmo no palco convidou o público para conhecer a ONG “Quero Mais Brasil”, que tem arrastado pencas de personalidades num movimento contra a corrupção e o desgoverno nos gastos públicos. Recentemente, em Portugal, onde se apresentava, teria batido duro no governo, posicionando-se contra a reeleição, segundo a imprensa local. Ela diz que suas declarações foram distorcidas. Mas os patrulheiros do além já se pintaram para a guerra e andam pregando até boicote a ela.

Na falta de argumentos consistentes, a acusam de “falar mal do Brasil no exterior”. Balela. Pode-se ou não concordar com sua opinião, mas jamais cassar-lhe o direito de se manifestar, onde quer que esteja. Até porque, Daniela Mercury não falou mal de seu país, para o qual ela é motivo de orgulho, com a chancela inclusive da Unesco e da Unicef, que dela fizeram embaixadora. Se o fez, foi em relação ao governo cujo presidente até hoje só se pronunciou sobre o mar de lama que inunda a cena política nacional numa entrevista emâ Paris. Como esquecer aquele antológico “o que o PT fez do ponto de vista eleitoral é o que é feito no Brasil sistematicamente”, proclamado por sua excelência?

Se uma defesa dessas - elogio mesmo - pode ser feita lá fora, por que não é permitido criticar também? Dá para imaginar americanos sendo repreendidos por se indignarem com o Bush ou uma mordaça na advogada Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz em 2003, por denunciar ao mundo os crimes contra a democracia e os direitos humanos cometidos em seu país, o Irã? Pode-se considerá-los menos patrióticos por isso? Ao contrário, foi-se o tempo em que toda lucidez, uma vez incômoda aos poderosos, deveria ser castigada.

Pois então, bate, Daniela, bate!

Não falta quem queira te aplaudir, nos palcos e nos “bailes” da vida. Eu puxo a fila.


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