Tô fora


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Tenho uma confissão que talvez me custe o mais contundente desprezo por parte da moçada: não faço parte da “família” Orkut. Sério. Morro de preguiça de ficar caçando ex-colegas, sabendo quem anda onde e com quem, etc.

Mas, se for parar lá, já tenho idéia para uma comunidade: “EU ODEIO AS HAVAIANAS”. Se já existe, faço absoluta questão de aderir em caráter de urgência.

Desde molequinho, era só colocar chinelos de dedo - e não adianta querer sofisticar chamando de sandálias - em meus pés e eu os chutava longe. Ainda hoje, quando tento, acabo com o vão do dedão assado. Mas o “x” da questão não é esse. Em verdade, tem a ver com estética mesmo.

Para início de conversa, não consigo entender esse fetiche todo por pés, independente de gênero. Acho que são tão sem graça quanto os cotovelos, por exemplo - mas tem gente com tesão até por pulso, fazer o quê? Ou são magrelos demais, com aquelas veias saltadas, parecendo asas de morcegos, ou são gorduchos , que, com as tiras, ficam com jeito de sacos de batatas amarrados. Raros, raríssimos mesmo, são os apresentáveis. Com todo respeito ao Goethe e ao Tarantino - ainda que inspirado pela irresistível Uma Thurman - essa história de podofilia é punk demais pra meu gosto.

Além do mais, fala sério: há algo mais sinistro do que pés sujos mostra, sem falar em calcanhar rachado (argh), ou sandálias encardidas? Tudo bem usar na praia, em casa, na piscina, mas elevar chinelos categoria de peça fashion e emblema nacional, tenha dó! No Rio, por exemplo, só dá gringo desfilando com bandeirinhas brasileiras nas tiras das sandálias - logo eles, geralmente avessos a uma lavagem básica de pé. Para usar uma expressão que eles bem conhecem, disgusting. Aliás, antes que me esqueça, bem-feito para o Luciano Huck, que foi barrado no restaurante Esplanada Grill porque estava fazendo uma linha, digamos assim, despojado.

E a tal onda de distribuir Havaianas em casamentos para os convidados dançarem. Dá para imaginar uma mulher gastando os tufos em sapatos Manolo Blahnik, Ferragamo ou Fernando Pires para trocá-los por Havaianas no meio da festa? “Ah, mas é confortável para dançar. Os saltos matam a gente”, diz uma amiga minha. Confortável?!? E desde quando uma mulher abre mão do glamour em função do conforto? Ainda mais com sapatos daqueles, que custaram os olhos da cara - e, como costuma brincar outra amiga, “dá até peninha deixar escondido embaixo da saia ou da mesa. Às vezes dá vontade de tirar os sapatos e colocar ao lado do prato ou pendurar no pescoço pra festa inteira ver!” Isso, sem falar no pior: se esbaldar de Havaianas e acabar ficando de vez sem os sapatos - sim, porque se tem um lugar cheio de gatunos é festa de grã-fino.

Tomara que as Havaianas nunca dependam de mim para continuar faturando milhões no mundo inteiro.


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