Quem casa…


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Esse recorde de divórcios no Brasil, apontado pela última pesquisa do IBGE, me fez lembrar do espetáculo “NÃO SOU FELIZ, MAS TENHO MARIDO” - imperdível, pelo conjunto da obra, dos mais caprichados, especialmente a atuação arrebatadora da ZEZÉ POLESSA. Durante o ano todo o indiquei (olha a pretensão) a amigas, independentemente de espécie: casadas, divorciadas e solteiras. Ou de gênio: feministas, indecisas e, principalmente, aquelas que, como diz a piada, fingem orgasmo porque pensam que os homens se importam com isso.

As primeiras reações, de impulso mesmo, simples menção do título já revelam o quanto essa história de pensar a relação deixa o mulherio em polvorosa.

Algumas torcem o nariz e fazem cara de quem ouviu um insulto mortal. São as que não se conformam com o fato de a arte imitar a vida.

No outro extremo, estão as que esperam que a arte sempre se coloque a serviço da vida: até perguntam se tem um abaixo-assinado na entrada.

Mas a maioria vai mesmo de coração aberto. Em busca de consoloâ ou estímulo.

Insisti para que duas amigas (uma, viúva, e outra, divorciada; ambas pós-balzaquianas) assistissem. Perguntei, então, se tinham se identificado com a Vivi, personagem que dispensa o figurino de vítima quando se vê s voltas com as lembranças de um casamento que, como quase todos, vai do quente ao frio sem pedir licença.

A princípio, uma delas veio com o eterno “homem é tudo igual, só muda de endereço”. Depois completou: “Mas não trocaria o meu por nenhum outro”. Foi a viúva, é claro.

A outra, separada há muitos anos, lembrou uma frase do texto que, segundo ela, resume o pensamento de toda recém-casada: ” Mas eu tenho a vida toda pela frente para transformar você no marido que está destinado a ser!” Aí, fez uma pausa dramática e emendou, desolada: “É o nosso grande erro”.

E eu continuo aqui pensando o quanto deve ser insuportavelmente frustrante a uma mulher não conseguir realizar aquele que se tornou seu primeiro e maior objetivo de vida: ser amada. Exatamente do jeito que ela quer; não vale outro e ponto.

Muitas sucumbem frente ao fracasso e até ficam doentes. Mas existem também as que cansam de mendigar - ou exigir? - afeto e resolvem mastigar, engolir e vomitar aquilo tudo. Mesmo que para isso esperem 27 anos, como a Vivi da peça, inspirada na vida como ela foi para a jornalista argentina Viviana Gómez Thorpe (que contava histórias divertidas e traumáticas de seu casamento desfeito num programa local de rádio e depois as reuniu num livro de sucesso internacional).

Quanto aos homens… Bom, eles se dobram de rir com os conflitos cotidianos desfilados no palco e fingem dar de ombros.

Mas é claro que ficam com a desconfortável sensação de que em briga de marido e mulher até Zezé mete a colher!


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