Fantasia musical


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Desde a infância eu sonhava com uma aventura fantástica: ser engolido por uma baleia. Como Pinóquio, lembra?

Finalmente aconteceu. Acho que por ter sido menino bonzinho.

A baleia da historinha chamava-se Monstro. Dentro dela, o boneco ficou boquiaberto com a sinfonia que ouviu: coração batendo com o vigor de timbales, pulmões assoviando como tubas…

A minha também recebeu nome de batismo altura de sua grandiosidade (em todos os sentidos): SALA SÃO PAULO. E meu encantamento teve motivo ainda maior: um concerto da impecável OSESP, com programa luxuoso que incluía Strauss, Tchaikovsky e Mozart.

Já havia me lambuzado com algumas das melhores orquestras do mundo, em palcos consagrados, mas essas duas entidades pululavam em todos os meus sonhos de consumo. Parêntesis: refiro-me sala paulista também como “entidade” porque, mesmo quando a via apenas pela TV, já sentia que se tratava de um organismo tão vivo quanto os músicos e o público que a povoavam.

Pois, acredite: ser engolido pela Sala São Paulo é uma experiência invulgar. Não se trata apenas de um êxtase visual. Cada detalhe de sua arrojada arquitetura - o desenho, recheado por aquela elegantíssima madeira marfim, colunas, poltronas, balcões e o espetacular forro de painéis móveis - parece vibrar, com força arrebatadora da… musculatura de uma baleia.

Tudo isso salta ainda mais aos olhos quando se assiste ao espetáculo debruçado na orquestra. Não, não nas primeiras filas da platéia, o tradicional gargarejo; mas no fundo do palco, onde costuma ficar o coro.

É lá que se obtém esta visão de tirar o fôlego:

S.R./Medinaonline
Sala São Paulo - concerto OSESP

A competência de profissionais brasileiros e o melhor da tecnologia mundial dotaram a Sala São Paulo (que está ao lado de uma estação de trem!) de uma acústica impecável, transformando-a em referência internacional. Portanto, em qualquer um de seus pontos o orgasmo auditivo é o mesmo. Mas ali de tão pertinho, a gente quase levita. E se segura pra não cochichar no ouvido dos músicos: “toca de novo!”

Quanto s imagens… Bom, se você for curioso, é uma festa. A apaixonante dança dos violinos e dos violoncelos; as mãos abençoadas do pianista; os penteados impecáveis das concertistas; as surpreendentes reações da platéia (que variam da quase paralisia mais descarada soneca, com direito a providencial cutucão do vizinho)…

Mas nada disso supera uma emoção que todo espectador deveria experimentar, ao menos uma vez: fitar os olhos de um maestro.

De costas, seus movimentos talvez pareçam simplesmente arquitetados para colocar ordem naquele caldeirão de partituras. Às vezes com rigor militar; outras com graça de coreógrafo. Mas é justamente quando observado de frente que se descobre seu segredo: muito mais do que comandos mecânicos, o que ele lança sobre seus músicos é feitiço puro.

Ali, nas profundezas da garganta de minha baleia, cheguei a uma conclusão: a gente não vê, mas o maestro, como o velho Gepeto, conta sempre com a ajuda de uma fadinha. É assim que dá vida s músicas e faz pulsar mais forte um coração.

Até mesmo de um boneco de madeira como eu.


1 Resposta para “Fantasia musical”

  1. 1 leandrohubo

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    Não sou de madeira, mas fiquei com uma vontade danada de ser engolido por uma baleia!
    Aprovado! :D

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