Mãe coragem, filho…


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Já tinha ouvido falar de diversos transtornos psicóticos desenvolvidos por filhos desnaturados, geralmente caçulas e temporões, resultando em atrocidades mil contra suas próprias e indefesas mães. Apropriação de aposentadoria, cárcere privado, disco do Roberto Carlos de presente de Natal, espancamento, matricídio e por aí vai. Mas acabo de ser surpreendido por um amigo que cometeu o inimaginável: algemou a mãe e foi ao cinema!!!

Isso mesmo: pôs ALGEMAS na coroa, literalmente.

A explicação, ao menos, é aceitável: a corajosa e serelepe senhora tinha feito cirurgia plástica e não podia ficar mexendo os braços. Como não havia jeito dela se comportar - nordestina arretada, já viu -, a solução foi radicalizar.

É versão doméstica do famigerado RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), tão em voga nos presídios de segurança máxima.

Mas, torturas parte, confesso que fiquei mesmo curioso com duas coisas muito simples, de certa forma complementares: saber de onde veio essa idéia e por que ele guarda tão particular acessório em casa.

Elaborei algumas teorias.

A primeira, evidentemente, de que ele já se viu nessa situação. Mas, fugiu da cadeia? Levou as algemas de lembrança quando foi solto? Ocorreu-me ainda, que, apesar de jovem, ele tenha sido um desses cangaceiros que espalham terror pelo sertão, de onde veio - até porque, cultiva os mesmos hábitos refinados de Lampião: adora um modelão fashion, só usa perfume francês e domina uma sanfona como ninguém. Além, é claro, de ter sempre uma Maria Bonita por perto (nem que seja pra passar as roupas). Esses cabras… Apesar desses indícios, nada faz muito sentido. Até onde sei, o elemento (aparentemente) tem ficha limpa.

Outra hipótese é que as algemas sejam objetos de alguma fantasia. Como ele não é punk nem carnavalesco, talvez se trate de um adereço de… (será?!?). Bom, nesses assuntos referentes a folias de alcova sou ultraconservador - de Sade só conheço a cantora -, e prefiro me abster de emitir comentários a respeito. Só de pensar, enrubesço.

Quanto função e a origem das algemas, fiquei constrangido de perguntar e continuo aqui amargando essa dúvida corrosiva. Mas o que levou a esse ato desesperado até eu, que de psicanálise entendo patavina, já identifiquei: revolta!

Primeiro, obviamente, o inconfessável: viu vicejarem novamente aqueles peitos que ele, quando bebê, tinha simplesmente esgotado. Pensava que os havia seqüestrado para todo o sempre, eliminando qualquer concorrência, mas… maldito silicone!

Como se não bastasse, a mãe costumava, logo ao raiar do sol, invadir o quarto dos filhos, faxinando tudo e todos que visse pela frente. Apavorado com esse trauma, agora que a situação se inverteu - sendo a casa dele, e ela a hóspede -, foi tomado pela necessidade incontida de mostrar quem manda no pedaço. Ah, crueldade!

Bom, o importante é que ela adorou a idéia e, embora sua hiperatividade teimasse em sabotar o plano, dormia algemada e satisfeita. E ele ia tranqüilo pra balada.

Moral da história, as algemas podem revolucionar os pós-operatórios, para felicidade dos cirurgiões e das pacientes.

E, principalmente, dos filhos desesperados. Afinal, não falta quem tenha razões de sobra para fazer uma releitura dos inesquecíveis versos do Vinícius:

“Mães… Mães?
Melhor não tê-las!
Mas se não as temos
Como sabê-lo?”


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