Esperando Almodóvar


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Ainda não há notícias sobre a estréia aqui de “Volver”, novo filme do ALMODÓVAR, mas já estou com uma excitação típica de vésperas de carnaval, louco para saber se a folia deste ano será ainda mais profana do que aquela que passou.

Embora não tenha levado a Palma de Ouro do Festival de Cannes, abocanhou a estatueta de melhor roteiro. Li que ele ficou tão decepcionado e irritado que chegou a fazer muxoxo, considerando prêmio de âconsolaçãoâ - ah, esses cineastas, dependentes incuráveis da consagração total, geral e irrestrita. Mas, para nós, almodovarmaníacos, isso só faz aumentar a curiosidade, já que seus delírios são cada vez mais saborosos.

A melhor definição que já vi sobre as histórias do Almodóvar foi da Regina Casé no prefácio da edição brasileira de “Fogo nas entranhas” (Dantes Editora), uma novela pra lá de safada, escrita por ele há vinte e cinco anos (depois de já ter feito inúmeras fotonovelas e filmes pornôs e antes do sucesso no cinema internacional):
O que mais gosto nas piadas em geral é o começo. Elas quase sempre partem de uma idéia absurda. Tipo essa que eu sempre peço para um amigo me contar de novo: “Um homem perdeu sua aliança de casamento dando uma dedada numa mulher. Nervoso, ele entra na buceta dela para procurar. Lá dentro ele vê um piano de cauda…” E por aí vai. Nem lembro como é que essa piada acaba. O final pouco importa. Só sei que eu morro de rir… Quase todos os filmes de Pedro Almodóvar são assim: acontecem logo de cara coisas incríveis e escabrosas. Com muita naturalidade e sem nenhum julgamento moral. Mas no fim os personagem que atuaram na trama fecham o filme fazendo um café ou conversando amenidades.

Irretocável. De minha parte, cada vez que lembro dessa tirada da Casé me dobro em gargalhadas, além, é claro, de morrer de inveja por não ter escrito isso. Assistindo um filme do Almodóvar, então…

E aqui, ninguém melhor que o próprio cineasta para revelar um pouco de sua fervilhante inspiração:
- “Volver” marca o regresso mais profundo que j fiz minha infância. Já tinha revisitado meus tempos de menino em “Má educação”. Mas aqui eu falo de um período mais doce em que vivi em La Mancha. Foi pouco tempo, mas marcou. Não sou nenhum militante manchego. Tampouco sei se, quando criança, fui feliz ou infeliz. Sei que olhar para trás me deixou com uma visão clara da morte e do tempo que ainda existe para se viver. Percebi nesse retorno ao passado que minha formação dramática vem do que aprendi com minha mãe, minhas irmãs, minhas vizinhas. Ali, colhi as histórias mais ricas. Penélope Cruz diz no filme falas que ouvi da boca de minha mãe.

Uhm, não vi e já gostei. Mas só mesmo assistindo “Volver” para saber se é digno do tremendão Almodóvar. O enredo principal - a relação entre o fantasma de uma mãe com sua filha e a neta - já anuncia um daqueles filmes que somente o próprio autor consegue contar do início ao fim, como a piada da Casé. Este mais ainda, pois o elenco levou o prêmio coletivo de melhor interpretação feminina, pela primeira vez concedido em Cannes, com Carmem Maura frente. Como as personagens mais arrebatadoras dele são justamente as mulheres, imagina só o espetáculo.

Aposto tanto nesse novo Almodóvar que já penso em acampar na porta do cinema. E distribuir senhas para faturar um extra.

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Almodóvar entre Penélope Cruz e Carmem Maura (Foto: Reprodução/AFP)


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