Rosa, o grande


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RosaA comunidade literária está comemorando os 50 anos de publicação de “Grande Sertão: Veredas”. Homenagem das mais justas a uma das obras-primas absolutas da literatura universal. E por isso mesmo deveríamos ir além, festejando nosso inesquecível GUIMARÃES ROSA com foguetório permanente, a exemplo do Bloomsday, que celebra anualmente, em 16 de junho, Joyce e seu “Ulysses” no mundo inteiro.

Os mineiros já estão nessa onda, realizando eventos tradicionais que mantêm viva a memória do conterrâneo. Em Cordisburgo, sua cidade natal, e em outros cenários que o inspiraram acontecem oficinas, peças teatrais, caminhadas ecológicas, cavalgadas e até barquejada pelo São Francisco, onde Riobaldo e Diadorim navegaram. Mas no resto do país, por ironia do destino, aquele gênio que retratou como ninguém o homem comum brasileiro está sendo reverenciado quase que exclusivamente pela elite intelectual dos grandes centros, em seminários, encontros de escritores e matérias especiais dos jornalões. Vamos torcer para que escolas, órgãos oficiais e os veículos de comunicação regionais também atentem para um marco tão importante da cultura nacional. Aliás, dois: a obra e o autor.

Este Blog Revista - que tem leitura como paixão, mas é cristão-novo no tema - infiltrou-se recentemente em meio a uma concentração de roseanos juramentados, no Rio. Não bastasse ter sentido aumentar o encantamento com todo aquele tesouro literário inesgotável, acabou saindo de lá com outra certeza: a personalidade de Rosa era tão ou mais extraordinária do que aqueles personagens antológicos que ele criou. Um figuraço!

Alguns dos “causos” mais saborosos foram relatados pelo acadêmico embaixador Alberto Costa e Silva, que foi amigo do escritor e seu colega no Itamaraty. Dignos de ficção:

O EXAME
Quando prestou o concurso para ingressar na carreira diplomática Alberto Costa e Silva foi examinado justamente por Guimarães Rosa. Tinha se preparado sobre as mais diversas questões da política internacional e da história brasileira para esse exame, tido pelos candidatos como um verdadeiro bicho-papão. Veio então a surpresa: Rosa pediu que ele discursasse sobre… “os animais na literatura”. Mais roseano impossível.

A QUENGA
A conhecida mania de Guimarães Rosa de fazer anotações de tudo que ouvia em suas andanças para compor seus personagens rendeu momentos inacreditáveis.

Em Manaus, onde participava de uma conferência, o escritor foi a um cabaré, levado por outros diplomatas. Enquanto os colegas dançavam com as prostitutas, ele chamou a mais bonita delas para sentar mesa e puxou conversa, não sem antes tirar o caderninho do bolso. Perguntou como ela se chamava. “Rosa Linda”, respondeu. E ele: “Não minha filha, quero saber qual o seu nome mesmo”.

Ela contou sua vida inteira. Ele, claro, anotou tudo e saiu de lá com uma história daquelas.

A MORTE
Poucos dias depois de tomar posse na Academia Brasileira de Letras - solenidade que retardou em quatro anos por medo da profecia, que ouvira de uma cigana, de que morreria após uma grande festa em sua homenagem - Rosa sentiu-se indisposto, primeiro sinal do infarto fulminante que teria. Não foi trabalhar e só mais tarde telefonou para sua secretária dizendo que estava passando mal. Ela se ofereceu para levá-lo a um hospital, mas Rosa, médico por formação, não aceitou. Pediu apenas que continuassem conversando, pois queria “morrer falando para alguém”.

E assim fez, até silenciar.


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