Eu sabia!


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Mesmo com as incessantes fornadas de pizza que Câmara dos Deputados vem nos entregando, temos que reconhecer que jamais vimos tanta reputação ruir de uma só vez. Algumas de forma simplesmente impensável não apenas para o grande público, mas até mesmo para olheiros privilegiados dos salões republicanos. Outras tantas com um final bastante previsível, dentro daquela lógica de que ninguém engana todo mundo o tempo todo.

No fundo, essa epidemia de implosões no cenário político surpreende até mesmo quem acha que a pobre da humanidade não tem mais jeito, como uma vizinha minha que a cada nova denúncia entoa a plenos pulmões pela janela o mantra “EU SABIA!”

Ainda que esteja pra lá de desanimado, não chego a ser tão cético. Mas confesso que venho tendo insights como esses com freqüência cada vez maior. Isso porque entrevistei alguns desses políticos quando trabalhava em TV e jornal lá em Brasília, há mais de cinco anos, e desde então ficava com a pulga atrás da orelha.

Vi há pouco, por exemplo, ex-deputado Bispo Rodrigues entrar algemado na Polícia Federal, pilhado na Operação Sanguessuga, de superfaturamento de ambulâncias. Lembrei-me de uma entrevista polêmica que ele me deu início de 2000. Ele representava a Igreja Universal no Congresso e já era acusado de operar para inchar bancadas, então a do PSDB, com transferência de parlamentares evangélicos (o que repetiu no escândalo do mensalão e lhe custou mandato). Perguntei sobre esse assunto e ele declarou sem-cerimônia: “Não existe bancada evangélica, mas agrupamento de 44 deputados. Evangélicos não formam bancadas, porque se deixam seduzir pela política e se rendem ao mal”. E foi além, defendendo o aumento do salário mínimo com o argumento mais esdrúxulo possível: trabalhadores ganhando mais pagam mais dízimo Igreja.

Sério! Ficou gravado. No dia seguinte exibição da entrevista e com a repercussão nos jornais, um batalhão de choque da Universal baixou na televisão exigindo cópia da fita. Não sei se ele levou algum puxão de orelha, mas eu, que felizmente exibi a entrevista na íntegra, livrei-me de um processo ou, pior ainda, da ira dos evangélicos. Se já teve um que chutou até a imagem de Nossa Senhora no ar, imagina o que não fariam comigo…

*

Os corruptos nadam de braçada em qualquer cidade com status de capital por estarem longe da cobrança do eleitorado e muito próximos ao sedutor poder. Isso é fato mais que sabido. Portanto, pura bobagem satanizar Brasília. Nesse caso, o inferno, muito bem lembraria nosso Sartre, são mesmo os outros, os tantos crápulas eleitos ou nomeados, mandados para lá.

Aliás, na maioria das vezes, os políticos obscuros em Brasília são como os personagens que descrevi na nota “Famosos na paisagem”, aqui nesta página. Por estarem em todos os lugares, eles não são mais sequer objetos de atenção, a não ser, é claro, por parte daqueles que se tornam seus “parceiros” em atividades não tão públicas.

E la nave va.


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